Santa Catarina reúne dois polos de hotel fazenda que quase não se parecem entre si. No Vale do Itajaí, em cidades como Gaspar, o clima é subtropical úmido, quente boa parte do ano, e as fazendas convivem com a herança da colonização alemã — enxaimel nas construções, cervejaria artesanal, festa típica. Na Serra Catarinense, em torno de Lages, a paisagem muda para campos de altitude com araucária, erva-mate nativa e um frio que em pleno julho já rendeu geada forte e, em anos mais raros, neve.
Lages carrega o título de berço do turismo rural no Brasil — foi lá, ainda nos anos 1980, que fazendas de gado começaram a receber hóspede como atividade paralela à pecuária, formato que depois se espalhou para o resto do país. Isso deixou marca no perfil dos hotéis da região: rotina de lida com o gado mais presente, cavalgada em campo aberto em vez de trilha de mata, cozinha em cima de churrasco de fogo de chão e cordeiro.
Como chegar
Gaspar fica a cerca de 140 km de Florianópolis pela BR-101 e depois BR-470, viagem de pouco mais de 2h. Lages já pede rodovia de serra: partindo de Florianópolis, são cerca de 220 km pela BR-282, com trecho de subida que ganha curvas fechadas e neblina repentina — em dia de inverno vale sair com o tanque cheio e checar previsão antes.
Quando ir
No Vale do Itajaí, o verão traz calor e umidade que favorecem passeio de rio e piscina, enquanto o inverno já fica ameno o suficiente para programação ao ar livre sem casaco pesado. Na Serra Catarinense é o oposto: julho e agosto concentram quem quer ver geada de manhã e, em anos de frente fria mais forte, até neve nos campos mais altos perto de São Joaquim, cidade vizinha de Lages. Quem vai à serra fora do inverno encontra clima ameno de dia e ainda frio à noite, sem a lotação da alta temporada.
O que esperar dos hotéis da região
No Vale do Itajaí, o público se mistura com quem visita atrações da região como Beto Carrero World, em Penha, e busca hospedagem mais tranquila fora do circuito de resort de praia. Na Serra Catarinense, o hóspede típico vai atrás de frio de verdade, comida farta e rotina de fazenda de gado — famílias, grupos de amigos e casais mais velhos dividem espaço em proporção parecida. A diária na serra costuma ficar entre R$ 500 e R$ 1.200 o casal e sobe bastante em julho por causa da procura por frio.
Para combinar com a hospedagem
Em Gaspar, o Roteiro de Enxaimel reúne construções de madeira no estilo da colonização alemã ao longo do Rio Itajaí-Açu, com parada em cervejaria e restaurante típico. Na Serra Catarinense, a Serra do Rio do Rastro, na divisa com o Sul do estado, é considerada uma das estradas mais bonitas do Brasil, com mirante para as curvas descendo a serra. São Joaquim, pertinho de Lages, soma pomar de maçã para visitação na época da colheita, entre janeiro e março, e é onde mais frequentemente se registra neve no estado.